O mercado de trabalho catarinense diante da crise da Covid-19

Vicente Loeblein Heinen

Resumo


A crise associada à pandemia da Covid-19 agravou ainda mais a situação do mercado de trabalho brasileiro, que já se encontrava em patamares históricos de deterioração. O objetivo deste artigo é analisar os impactos dessa crise sobre o mercado de trabalho de Santa Catarina. Para tanto, são utilizados principalmente os dados da PNAD Contínua referentes ao 2º trimestre de 2020, visando identificar o comportamento da força de trabalho, as principais características dos postos de trabalho perdidos e os efeitos sobre a renda do trabalho no período. O mercado de trabalho catarinense foi fortemente atingido a partir de março de 2020, com quedas históricas no nível de ocupação. Os primeiros trabalhadores a serem atingidos foram aqueles que se encontravam em ocupações mais flexíveis, com menor grau de proteção social. Durante o período mais agudo da pandemia, a maior parte dos postos de trabalhos perdidos esteve concentrada entre os empregados informais, os trabalhadores dos serviços e a população negra. Com a contração da população ocupada e do número de horas trabalhadas, houve uma intensa queda nos rendimentos do trabalho, destacadamente nas menores faixas salariais. Esses resultados indicam que os impactos da atual crise não devem ser de curta duração, incidindo de forma permanente sobretudo na informalização do emprego, na elevação das desigualdades de renda e na deterioração das condições de trabalho.

Palavras-chave


Santa Catarina; Covid-19; desemprego; renda do trabalho

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Rev. NECAT, ISSN 2317-8523, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.