Evasão escolar e jornada remota na pandemia

Marcelo Neri, Manuel Camillo Osorio

Resumo


Propomos um indicador síntese que marca como um relógio as horas dedicadas por cada estudante potencial ao aprendizado à distância. Este indicador integra a questão discreta de estar ou não matriculado, com a marcação dos dias e das horas de fato empenhados no ensino remoto. O tempo para escola médio para o grupo de 6 a 15 anos em setembro de 2020 calculado a partir dos microdados da PNAD Covid foi de 2 horas e 22 minutos por dia útil, 40,9% inferior ao mínimo da Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDBE) de 4 horas/dia, baixo para padrões internacionais. Os alunos mais pobres, os da rede pública, aqueles em lugares mais remotos e em particular os mais novos foram os que mais perderam tempo para escola na pandemia. A falta de atividades escolares percebidas pelos estudantes é mais relacionada à inexistência de oferta por parte das redes escolares do que a problemas de demanda dos próprios alunos. Enquanto 12% dos estudantes de 6 a 15 anos não receberam materiais dos gestores educacionais e professores, apenas 2,7% não utilizaram os materiais que receberam por alguma razão pessoal. A falta de oferta de atividade escolar se dá por falta de envio de material por parte da rede de ensino, indo de 38,9% dos estudantes no Pará a 2,09% e 2,76% no Paraná e de Santa Catarina, respectivamente. Há um agravamento nas desigualdades regionais de educação no Brasil durante a pandemia, além de uma inversão da tendência ao crescimento e a equidade na acumulação de capital humano.

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Rev. NECAT, ISSN 2317-8523, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.