A insegurança alimentar no contexto da pandemia da covid-19 no Brasil

Nilson Maciel de Paula, Silvia A. Zimmermann

Resumo


As dimensões da pandemia do Coronavírus têm extrapolado o escopo de uma crise sanitária, numa sincronia nefasta com mazelas econômicas, políticas, sociais e ambientais, a partir das quais o “vírus da fome” se propagou visivelmente, desafiando a pauta política em diferentes países, inclusive no Brasil. Conforme o Inquérito realizado pela Rede de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), em dezembro de 2020, através do Projeto Vigisan, 55% da população brasileira estava em estado de insegurança alimentar e 19% passavam fome, indicando que as privações causadas pela pandemia do Coronavírus se somaram a pandemias associadas ao empobrecimento e à desigualdade já instaladas na sociedade. A partir de referenciais bibliográficos, sobretudo nos dados do Inquérito da Rede Penssan, o objetivo deste artigo é discutir os determinantes da insegurança alimentar no contexto da pandemia da Covid-19. Entre os resultados, o Inquérito Vigisan mostra que a insegurança alimentar não resultou apenas da pandemia da Covid-19, mas também de decisões planejadas de desmantelamento de políticas públicas de proteção social, seguindo uma orientação neoliberal de fragilização de instituições públicas e de uma disciplina fiscal que tem desidratado programas sociais, em particular aqueles voltados para soberania e segurança alimentar e nutricional.

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Rev. NECAT, ISSN 2317-8523, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.